
Como é que você começou sua vida política? Fale sobre sua militância.
Em 1970 quando eu entrei na Universidade de Brasília, o movimento estudantil se organizava a partir – e eu diria principalmente – da militância clandestina que existia nas organizações da época, então eu, de maneira combinada, fui tomando contato com a política. Até então eu nunca havia militado, eu vinha do interior, ainda que em 1968 em Ribeirão Preto eu tenha corrido da polícia na repressão ao movimento estudantil à época, mas sem saber exatamente porque que eu era alvo e porque que eu era obrigado a correr. Na UnB então, de maneira combinada, eu fui me politizando através de organização de esquerda, através do convívio com o ambiente universitário e com aquilo que animava o movimento estudantil que era a luta pela a democracia contra a ditadura. Em função disso vários companheiros eram dirigentes do movimento estudantil, eu também era.
Quando eu estava pra me formar éramos quatro representantes dos alunos junto à reitoria pra fundar o diretório universitário, dado que a UnB tinha DCE, tinha sido invadida, tinha uma história de lutas importante, e faltando um, dois meses pra minha formatura começou um processo de perseguição – os outros três representantes foram expulsos, eu escapei da expulsão (na época ainda tinha o 477) por poucos dias – aí me formei, fui militar no Rio Grande do Sul também na militância clandestina. Ali na primeira semana me expus muito porque fiz campanha pela libertação de companheiros que foram presos na Argentina e tinha que ter muito rigor inclusive com a casa onde eu morava para que aquela observação policial não resultasse em prisão.
Em 1977 eu vim pra São Paulo e fiz o curso de saúde pública, de sanitarista na Universidade de São Paulo. No ano seguinte eu entrei pra fazer residência médica no Hospital do Servidor Público Estadual, lá virei presidente da Associação dos Médicos Residentes Internos. Foi um período de muitas lutas, guardo preciosas lembranças. Depois quando terminei a residência eu entrei como suplente na diretoria do Sindicato dos Médicos em 1981, em 1984 eu disputei a presidência, a nossa chapa ganhou e eu virei presidente do Sindicato dos Médicos. Ali também foi um período de greves históricas, por exemplo as primeiras – não só a primeira mas as primeiras - greves em medicina de grupo combatendo os convênios fomos nós que organizamos, talvez a primeira carreata na cidade de São Paulo que se tem notícia nos últimos 20 anos fomos nós que organizamos, o que culminou inclusive com o caminhão de som, que eu estava em cima, dirigido por uma médica e que derrubou as grades do Palácio dos Bandeirantes. Então, naquele momento de crescimento do chamado novo sindicalismo, o Sindicato dos Médicos era um sindicato importante naquele processo, isso fez com que nós participássemos da fundação da CUT. Antes ainda havia a pró-CUT e através dessa militância eu virei direção da CUT, fui secretário-geral da CUT estadual, depois virei presidente da CUT estadual, fui reeleito, fui da direção nacional da CUT durante vários anos e isso inclusive atrasou minha militância no PT, ainda que eu tenha participado da fundação do partido.
Aí fundamos o PT, posteriormente eu virei vice-presidente estadual do PT, depois virei presidente, fui secretário-geral do PT nacional por duas vezes seguidas. Estou aqui fazendo uma síntese sem entrar na análise política de cada período, mas a rigor, eu participei do movimento estudantil num momento em que ele foi importante, depois o movimento sindical também muito importante, e nos últimos anos da vida partidária e também como parlamentar. |