O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, disse nesta quinta-feira
(15) que é contra propostas de redução da jornada de trabalho com corte de
salários e sem garantias de emprego. Segundo ele, as empresas brasileiras,
especialmente da área automobilística, não deveriam recorrer a esse tipo de iniciativa,
porque já foram beneficiadas por uma série de medidas do governo contra a
crise, entre elas a redução de impostos e o aumento na concessão de crédito.
Chinaglia deu as declarações, em Ribeirão Preto (SP), em reação a
uma proposta da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),
apresentada na quarta-feira (14), de redução de até 25% da jornada de trabalho
de metalúrgicos, com corte de 15% dos salários.
Comissão especial
Em dezembro, a Câmara instalou uma comissão especial para analisar a
redução da carga horária máxima semanal de 44 para 40 horas (PEC 231/95),
sem cortes salariais. A PEC tramita junto a outras 43 propostas.
Os trabalhos da comissão vão começar no próximo dia 10 e terão como base
a realização de audiências públicas para ouvir representantes dos trabalhadores
e dos empresários.
Segundo o relator da PEC, deputado Vicentinho (PT-SP), dados do Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que a
medida poderá gerar dois milhões de novos empregos.
Em junho, Chinaglia recebeu das centrais sindicais
abaixo-assinado com mais de 1,5 milhão de apoios à redução da jornada máxima
permitida de trabalho sem redução dos salários. Um estudo
apresentado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea) aponta que 36,4% dos profissionais brasileiros trabalham mais de 45
horas por semana.
Alternativas
De acordo com Chinaglia, em vez de cortar salários as empresas deveriam
procurar alternativas para fortalecer o mercado interno, cujo crescimento nos
últimos quatro anos gerou empregos e beneficiou os próprios empresários.
"O empresariado do País ganhou muito dinheiro e a indústria bateu
recordes", afirmou.
Ele ressaltou que os representantes do empresariado precisam buscar
entendimento com os sindicatos. Na avaliação do presidente da Câmara, os
trabalhadores e a própria indústria serão prejudicados se os empresários se
limitarem a lutar pela redução de impostos sem tentar manter o mercado interno
fortalecido.
Ele lembrou ainda da ação da Câmara, que considerou rápida, na aprovação
de medidas do governo contra a crise, como a permissão para a compra de bancos
privados pelos bancos públicos, tema da Medida Provisória 443/08.
Fonte: Agência Câmara