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20/01/2009
Chinaglia quer manter acordo para eleição à Presidência da Câmara

 

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, comentou nesta terça-feira a repercussão, na candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à Presidência da Casa, da confirmação do nome do senador José Sarney como o candidato do PMDB à Presidência do Senado. 

"A candidatura de José Sarney chama a atenção porque, quando a candidatura de Michel Temer foi lançada aqui na Câmara, foi tratada pelos líderes do PMDB como algo prioritário. Então se alguém deve estar preocupado com a candidatura de Temer deve ser os senadores do PMDB", disse Chinaglia em entrevista.

O presidente da Câmara disse ainda que não crê que o lançamento da candidatura de Sarney provoque nenhuma mudança na posição da bancada do PT. "Seria um erro mudar o compromisso que firmamos", acrescentou. Há dois anos, o PMDB apoiou a eleição de Arlindo Chinaglia em troca do apoio a Michel Temer a presidente da Câmara na eleição subsequente. "Até porque não está escrito quem vai ganhar no Senado. O processo continua. Eu prefiro o PT comandando o Senado e o PMDB comandando a Câmara."

Cesare Battisti

O presidente da Câmara também comentou a carta que recebeu de representantes do parlamento da Itália criticando a decisão brasileira de dar refúgio ao italiano Cesare Battisti. Ex-integrante de um grupo de esquerda, Battisti foi condenado por quatro assassinatos ocorridos nos anos 70. Preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília, será posto em liberdade e poderá viver no Brasil.

"Essa carta critica a decisão de conceder asilo, uma decisão que cabe ao Poder Executivo", lembrou Chinaglia. "Existe uma solicitação, já anunciada pela imprensa, do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para que haja uma manifestação do Ministério Público. Ou seja, o Judiciário também deverá se manifestar sobre o caso", acrescentou o presidente.

Para Chinaglia, o Legislativo não tem nenhum poder de interferir diretamente sobre o assunto, mas tem o poder de fazer o debate sobre o tema. Ele acredita que, na volta dos trabalhos legislativos, agora em fevereiro, esse assunto seja debatido pela Casa. Chinagliavai enviar cópia da correspondência recebida aos líderes partidários e ao ministro da Justiça, Tarso Genro.

Questionado se sua resposta ao presidente do parlamento italiano incluirá uma posição sobre que providência deveria ser tomada, Chinaglia disse que não é o caso, porque o presidente do parlamento italiano não pediu providências da Câmara. "Ele sabe que as providências cabem ao Poder Executivo", observou. "Deputados e senadores são competentes para o debate e isso pode gerar pressões políticas contra ou a favor de determinadas posições", ressaltou.

"A resposta será cuidadosa, pois é natural haver divergências sobre um tema como esse. Se o governo brasileiro reiterar sua posição, é normal que se tenha a dimensão dos aspectos de soberania nacional", acrescentou o presidente da Câmara.

Chinaglia descarta a possibilidade de que esse episódio vá fomentar algum tipo de hostilidade entre as populações do Brasil e da Itália. Ele lembra que o Brasil tem uma das maiores colônias de descendentes de italianos. 

Relações com os EUA

O presidente da Câmara disse ainda esperar que o presidente norte-americano Barack Obama [empossado nesta terça-feira] consiga, no tempo mais rápido possível, contornar a crise financeira mundial e reduzir seus impactos. "Até porque ela atinge todos os países", disse Chinaglia.

"Espero também que os EUA ampliem o diálogo para a discussão de questões internacionais, porque organismos como a Organização das Nações Unidas (ONU) têm que ter a voz mais ouvida. Os EUA, ao buscarem o que é melhor para o seu povo, também devem perceber a importância de se trabalhar para que os outros povos tenham direito a uma vida digna."

Em relação à crise financeira internacional, Chinaglia acredita que o governo americano vai dar atenção enfática a sua própria população e que a América Latina, à medida em que for crescendo, será mais ouvida e respeitada.


Fonte: Agência Câmara

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