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Nacional
Partido dos
Trabalhadores
17/06/2009
“Na Câmara, o aplauso é o silêncio”
Treinado em reuniões do PT e
assembleias sindicais, o deputado federal Arlindo Chinaglia (SP) enfrentou o
desafio de conduzir o plenário da Câmara em 2007. Como presidente da Casa, teve
de lidar com as conversas paralelas entre os colegas. Mesmo assim, é contra
qualquer limitação:
Zero Hora –
O episódio ocorrido com o atleta francês é comum nos parlamentos?
Arlindo Chinaglia – Toda vez que um orador tratar, com talento, de
um assunto que no momento é importante haverá silêncio. Na Câmara, o aplauso é
o silêncio. Se a palestra não interessa aos demais, a conversa paralela é
natural. O que não é razoável é o parlamentar se desligar num momento de
polêmica relevante. Tem gente que fala demais, sobe à tribuna a toda hora, fala
de um assunto que é de interesse apenas da base eleitoral. É duro prestar
atenção nisso.
ZH – O
atleta francês chamou a atenção dos vereadores.
Chinaglia – Ao fazer isso, ele não entende a cultura do plenário. Ele transformou
o desconforto dele num pito. E alguém com mandato parlamentar não deve ouvir
pito calado. Fica difícil dizer o que ocorreu. Não sei o tom usado por ele e as
circunstâncias. Um vereador poderia ter dito para ele: “Gostaria de fazer um
esclarecimento ao senhor. O fato de estarmos conversando não significa
desrespeito. Temos outras funções além de estar ouvindo o senhor. Agradecemos
sua presença”.
ZH – Por que
se conversa tanto em plenário?
Chinaglia – Se eu sair daqui agora e for ao plenário, vou cumprimentar deputados.
Enquanto converso com eles, vou ouvindo quem está falando, do que está
tratando. Vou perguntar a um colega se houve alguma alteração significativa no
cenário. É preciso conversar. De repente, tem alguém fazendo obstrução, falando
sobre o regimento. Aquilo não é para ser escutado.
ZH – O
senhor seria a favor de limitar conversas paralelas?
Chinaglia – Isso não dá. Não pode. A conversa paralela é importante. De repente,
o deputado está fazendo articulações.