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21/09/2009
Chinaglia avaliará se operadora única limita pré-sal


A Petrobras como única operadora do pré-sal vem sendo um dos temas mais polêmicos do projeto do sistema de partilha no setor de petróleo, e, por isso, o presidente da comissão responsável por analisar a proposta, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), pretende convocar a companhia e outros agentes da indústria para debater o tema antes da votação.

"Eu começo o debate sendo a favor (da Petrobras como operadora única), mas vou procurar a Petrobras, dialogar com o próprio governo, com a oposição", explicou Chinaglia durante debate na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que contou com parlamentares pró e contra o governo, além de representantes do setor de petróleo que são contra a exclusividade para a estatal.

O projeto de partilha recebeu 352 emendas e de acordo com o deputado deverá ser alterado. "Eu nunca vi nenhum projeto sair daqui do jeito que entra", afirmou.

Chinaglia deu como exemplo de sucesso da partilha com operador único a exploração de petróleo na Venezuela, que mesmo sempre feita em parceira com a estatal PDVSA atrai o capital estrangeiro. O deputado justifica a medida lembrando que "está na exposição de motivos (do projeto de lei da partilha) o maior controle do Estado e maior participação da União", e que por este motivo seria natural fortalecer a Petrobras.

Ele descartou atraso na tramitação do complexo tema, afirmando que fez um acordo para votação na Câmara até antes de 10 de novembro e que não vê motivo para que isso não ocorra.

"Pela minha experiência, quando tem divergência nunca começa contra e depois fica a favor... é muito dificil haver mudança de opinião", explicou. "Dois meses é muito tempo para debater, não será mais tempo que vai resolver as divergências", complementou.

Segundo o deputado, é importante que se resolva o assunto antes das eleições de 2010, para que o teor ideológico da discussão não contamine os palanques. Ele lembrou ainda, que se demorar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá pedir novamente regime de urgência.

Papel secundário

Presente no evento, o ex-presidente da subsidiária no Brasil da petrolífera norueguesa Statoil, Jorge Camargo, afirmou estar preocupado com o papel secundário que as demais empresas terão nas áreas não licitadas do pré-sal se a Petrobras for operadora única, responsável pelo ritmo de investimentos.

"Da maneira como está proposto, o modelo limita a inovação e os investimentos. A capacidade da Petrobras é extraordinária, mas sempre será menor do que a do conjunto da indústria", ressaltou Camargo, que deverá assumir no final do ano uma vaga no conselho da Statoil brasileira.

"Como vou fazer oferta sem conversar com o operador (Petrobras)? O operador tem um portfólio que eu não sei qual é, como essa operadora vai tratar meu investimento?", questionou Camargo.

Para o deputado Francisco Dornelles (PP-RJ), colocar a Petrobras como única compradora da indústria nacional vai limitar o crescimento desse segmento. "É quase uma estatização da qualificação profissional", afirmou, já que seria a Petrobrás a única a precisar de profissionais para a operação.

Já o superintendente da Onip, associação das empresas fornecedoras da indústria de petróleo, Alfredo Renault, disse que ainda há tempo para a indústria fornecedora se preparar para atender mais blocos do pré-sal, mas que no momento o foco é atender os campos já licitados.

"Nos próximos 10 anos, pelo menos, todas as encomendas virão para os campos que já estão licitados, é isso que vai mover a indústria. As áreas não licitadas não vão gerar investimentos agora, porque precisa saber a demanda firme para fazer os investimentos", avaliou o executivo.

"Mas já mostramos capacidade de evoluir para atender a demanda".

Fonte: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200909211923_RTR_1253561023nB84986&idtel

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